Por que rebolar é tão importante?

Atualizado: Jul 22

De acordo com o dicionário Oxford, rebolar é definido como um verbo que traz como ação "movimentar como uma bola" ou "mexer(-se) de um lado para o outro; bambolear(-se), balançar(-se)".

O ato de rebolar existe há muitos anos. Esse é um ato comum para muitas sociedades do continente africano há milénios. Cada cultura traz o rebolado de uma forma, eu gosto bastante de um estilo de dança originário de uma região da República Democrática do Congo que é chamado de Ndombolo. É um rebolado em pé com os joelhos levemente flexionados ou não, mas os glúteos e abdômen preparados para serem tensionados e relaxados. Semelhante ao estilo de rebolar do funk carioca.

Apesar de conectarmos coletivamente funk com a pose da mão no joelho, saiba que nem sempre foi assim ( mesmo hoje não se resume a isso). Já se dançou funk de diversas formas, antes de chegar ao que conhecemos hoje. É uma cultura muito ampla, não se limita a movimentar só o quadril, existem os passinho do ombrinho, rabiscada, passada de perna... e por aí vai. A cultura do funk está em constante evolução, por sofrer influencias de vários lugares e se comunicar diretamente com a juventude. Pode ser que amanhã ao pensar nesse ritmo haja uma outra posição tradicional e não mais a mão no joelho.

Seja empinando a bumba, com a mão no chão e de cabeça pra baixo em pé ou em qualquer outra possibilidade que o ato de rebolar permite, mexer o quadril faz muito bem.

Quando movimentamos o quadril estamos exercitando uma trama de músculo pélvico, o nosso assoalho pélvico. Esses músculos são importantes por desempenhar funções como:


- Sustentar órgãos importantes como, por exemplo, a bexiga, o útero, reto e o intestino

- Fazer xixi, coco ou o ato de "segurar"


Um assoalho pélvico fortalecido nos proporciona:


- Flexibilidade e resistência aos órgãos sustentados por essa região

- Melhora da lubrificação

- Ajuda a ter uma postura melhor

- Nos traz uma consciência corporal


Rebolar, como uma ação que movimenta o corpo, igual ou até mais do que outros exercícios, colabora para a elevação de hormônios como a endorfina, serotonina e dopamina. Substancias responsáveis por sensação de bem estar, alívio e prazer. Acrescento aqui que movimentar também melhora a circulação dos sistema sanguíneo e linfático.

É por ter tamanho conhecimento sobre os benefícios provocados pelo movimento da pélvis que trago esse assunto com frequência em meus cursos e criei esse material para você ler pelo celular, computador ou imprimir.


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É bom lembrar que, rebolar está fortemente atrelado a culturas não brancas, principalmente a cultura produzida por pessoas negras dentro e fora do continente africano. E se por um lado temos essa cultura da população afrodescendente do outro temos uma estrutura racista que determina que tudo o que está associado a essa população é vulgar e símbolo de "selvageria" e "primitivismo". Aliada ao racismo, ou melhor dizendo, um braço do racismo é a misoginia que molda nosso pensamento para objetificar determinados corpos, onde o centro da sociedade é o homem e todos os outros tem como função proporcionar conforto, alegria e prazer a este ser. No caso de mulheres negras esse modelo de controle é ainda mais intensificado.

Fazer as pontuações no parágrafo anterior é importante para que você facilmente compreenda o que embasa a dificuldade que muita gente tem de rebolar. Muitas acreditam que seja basicamente falta de prática, quando na verdade é muito mais complexo do que isso, envolvendo fatores que fazem que haja uma criminalização e marginalização, coletiva, das culturas e corpos que tem o rebolado como prática, o que resulta numa ojeriza individual.





Esse texto e o meu e-book Porque rebolar é tão importante, disponível para download, são um convite para o movimento, o autoconhecimento de seu corpo e o tornar-se quem realmente se é. Deixando de lado, ou mesmo tomando consciência sobre, opiniões racistas e machista direcionado a uma prática antiga e tão benéfica emocionalmente e fisicamente. Se joga e me fala se após leitura do texto e do e-book refletiu sobre o tema.

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